sábado, 27 de setembro de 2008

Just say no

Hoje à tarde, enquanto a Giovana dormia, fui esticar as pernas no sofá e assistir alguma coisa na televisão. Lá estava eu, zapeado os canais, quando um me chamou a atenção: o apresentador do programa de auditório que estava sendo exibido nesse dito canal estava entrevistando Rafael Ilha. Tomem nota: Rafael Ilha é aquele ex-integrante do grupo Polegar, uma bandinha Teen que surgiu no final dos anos oitenta e se manteve na mídia até inicio dos noventa. Motivo da derrocada: Rafael era líder do grupo e sucumbiu ao deslumbre e às drogas. Então. O mesmo motivo que o tirou da mídia foi que o fez ressurgir a oito anos atrás. O cara foi preso, roubando 1 real de uma velhinha dentro do ônibus coletivo pra comprar pedra de crack. Resumo da ópera: O cara tava completamente desconfigurado. Alucinado, maltrapilho e com certeza muito, muito infeliz mesmo.
Hoje ele se diz completamente curado do vício, reconstruiu a vida, casou, tem dois filhos e é dono de uma clínica de recuperação de dependentes químicos. Até aí tudo bem, né?
Mas, o motivo que o levara até ali não foi propriamente pra falar de como a sua vida anda equilibrada, mas pra falar da última encrenca em que se meteu. Ele foi preso, acusado de tentar arrastar uma suposta vítima das drogas para internação. Na linguagem técnica isso se chama remoção, ou seja, o cara já ta num estágio tão afetado que precisa ser levado à força. No final das contas, chegou-se à conclusão que tudo não passou de um mal entendido, pois a moça não era viciada, e ele entrou de gaiato no navio. Depois do rolo todo, uma questão foi colocada em discussão: Se é correto ou não a tal da remoção.
Ele disse: “As pessoas dizem que isso é usar de violência. Antigamente até podia ser, mas hoje os métodos são outros. Nós tentamos livrar a pessoa das drogas, não a transformamos em vegetais. Mas, sabe o que eu acho que é violência? Violência é o cara matar a avó porque queria levar o aparelho de TV da casa dela pra vender e comprar drogas. Violência é o cara bater no pai e na mãe porque os mesmos não liberam a grana pra ele comprar drogas. Violência é o cara perder a identidade, virar um bicho. Violência é um pai ter que matar um filho por não saber mais o que fazer com ele. E logo depois, morrer de dor; de desgosto”.
E quer saber? Eu concordo plenamente com ele. Não creio que seja um ato de violência. Acredito que é um ato de compaixão com o próximo.
Claro, é gritante a necessidade da humanização das clínicas de recuperação. Devia haver uma campanha nacional em prol disso.
Já vi amigos morrerem por conta delas - as drogas. Já presenciei o choro copioso de alguém que não agüentava mais. Já vi alguns que conseguiram encontrar a molinha no fundo do poço e retomar a vida.
Não desejo essa praga nem pro meu pior inimigo. Há um ano e meio parei de fumar. E dizem que é mais fácil um viciado em cocaína se curar do que alguém que é viciado em nicotina. Sou uma vitoriosa então, né? :)
Os motivos que levaram a pessoa a encontrar o tenebroso e talvez sem volta caminho das drogas, se ele foi fraco e etc, nesse momento acho que são irrelevantes. O que tem que ser levado em conta é que existe alguém doente. Alguém que não responde pelos seus atos. Alguém que precisa de amor extremo e não de lição de moral, de pré-conceitos e nem coisinhas do gênero
.

"Colocar-te ás na posição dos que sofrem, a fim de que faças por eles tudo aquilo que te desejarias se te fizesse nas mesmas circunstâncias"
(Emmanuel - Chico Xavier).



11 comentários:

Michele Moura disse...

Eu reclamei do meu post porque ele post não tem um assunto específico: é um amontoado de informações desconexas. Não gosto quando escrevo assim "bagunçado". Não tem a ver com nosso nome não. :)

Parabéns por deixar a nicotina! \o/

"O que tem que ser levado em conta é que existe alguém doente. Alguém que não responde pelos seus atos. Alguém que precisa de amor extremo e não de lição de moral, de pré-conceitos e nem coisinhas do gênero."

Realmente! É muito fácil "chutar cachorro morto" como a gente diz aqui no Sul.
Para ganhar ibope ou vender jornal e revista em cima da desgraça alheia sempre tem espertinhos. Mas pra tentar ajudar, é pouco provável encontrar alguém disposto.
Não que se deva "passar a mão na cabeça" do indivíduo, tratá-lo como coitadinho, mas é preciso dar uma (ou muitas) chance de a pessoa tentar colocar a vida nos eixos.

Parabéns pelo teu texto!

Lilás/Beth disse...

É, você tem razão!
Tem formas bem maiores de violência sendo praticasdas por aí, principalmente neste Brasil que matam e esquartejam criancinhas. Meu Deus do Céu!
Também não desejo este mal do vício para nenhum conhecido ou filho de algum amigo meu. É mesmo muito doloroso tudo isso.

Raphael Ilha foi ao fundo do poço ao que parece, mas se ele realmente tem o intento de ajudar as pessoas que estão neste estado atualmente, precisa se acautelar um pouco, não sair por aí fazendo por conta própria certas coisas, pois para quem já teve um curriculum como o dele, qualquer errinho é para crucifá-lo.
Tomara que por trás desse ato dele não tenha outros interesses.

Aiiiiiiiiiii, que música linda né!

beijo carioca e ótimo domingo aí no coração verde do Brasil.

Fernanda disse...

Bom, te parabenizo pela sua força de parar de fumar.
E as drogas, são um caminho mts vezes sem volta ... por isso nem me atrevo em experimentar. Nunca tive vontade tbm.
Nunca fui em uma dessas clínicas, então não posso dar a minha opinião sobre elas. Mas viciados precisam de ajuda.

CARLA ROCHA disse...

È isso aí Michelle! Perfeita sua abordagem: o importante é ver além do que o dependente apresenta. Parabéns pelo texto e pela sábia decisão de parar de fumar. Eu também já o fiz há algum tempo! Força! "Porque sem amor nada seríamos..." Beijão!

Gabriele Fidalgo disse...

Ótima observação, Michelle.

É mesmo um assunto delicado, eu acho. E eu vi também essa reportagem com o Rafael Ilha. Fico passada com essas notícias que vemos todo santo dia na tv. 'Adolescente de classe média mata avô, e não se lembra depois'. O fim da picada isso. Lembro de uma música do Renato Russo 'Há tempos'. Que fala bem de situações assim.

Beijos e ótima semana. ;)

Bob disse...

Oi minha primeira visita aqui :)

Gostei do último post ... concordo também com o falado ... tenho experiencias parecidas de amigos que entraram saíram ou permanecem na vida das drogas ... já frequentei casas de recuperação em busca de dar forças a um dos meus melhores amigos ...

Mas e aí? Nada nenhum retorno sempre vaí e volta :( é triste realmente :(

Mas interessante o post e muito bem colocado !! Parabéns

felipe lima disse...

O que dizer? Assino embaixo.

Lilás/Beth disse...
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Patricia Daltro disse...

Concordo com seu post, pior é a violência que é aumentada a cada vez que um usuário compra drogas! Lembro de uma amiga querida que se perdeu nesse mundo, o quão doloroso foi todo processo de recuperação, mas ela conseguiu, e olha, foi preciso intervenção familiar, de amigos e etc. Pois ela estava tão no fundo, que já não podia se ajudar.
Também fumei durante anos, parei quando me descobri grávida, vai fazer três anos e é a melhor coisa que já fiz, não foi fácil, mas conseguimos!

Patricia C. disse...

eu acho que somente a família deve responder nesses casos. só a familia pode decidir se o viciado se interna a força. porque é mais ou menos nos casos de doença avançada, quando a pessoa está na uti e quem responde legalmente é a própria familia. até em casos de morte e doação de órgãos.

Michelle Dangeli disse...

Concordo plenamente com vc Patrícia!